sábado, 7 de novembro de 2015

Entendendo o Sistema de Comando em Operações - Parte 5/5

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Darei Continuidade no Quinto e Último Post, Caso não tenham visto os Anteriores, Voltem lá e Depois Retornem para Cá.

Áreas de Trabalho e Instalações em um SCO:




INSTALAÇÕES EM OPERAÇÕES DE SITUAÇÕES CRÍTICAS:

Uma parte importante da organização do espaço físico em uma situação crítica é a implantação de determinadas instalações, padronizadas pelo SCO. Porém, antes que você continue, é preciso destacar que o termo “instalação” não significa uma edificação ou construção.

Como você verá, em muitos casos o Posto de Comando será apenas um local no terreno, identificado por uma placa ou mesmo um ponto de referência.

Posto de Comando:

O Posto de Comando deve ser instalado todas às vezes em que for utilizado o SCO, independentemente do tamanho e da complexidade da situação crítica. É claro que o tamanho e a complexidade dele será adequado às operações desenvolvidas, mas ele sempre será necessário.


O Posto de Comando é o local onde o Comando desenvolve as suas atividades de coordenar as ações na situação crítica. Pode ser um prédio, uma sala, uma barraca, um veículo ou simplesmente um local definido no terreno.

O importante é que você perceba que o Posto de Comando está ligado a uma referência do Comando. Quando as pessoas envolvidas na operação precisarem do Comando, elas saberão onde encontrá-lo se um Posto de Comando for estabelecido no local da situação crítica.


O local definido deve ser seguro e conhecido. Outra questão importante é aceitar que, em princípio, haverá um único Posto de Comando para cada situação crítica, mesmo que o
Comando seja unificado e haja vários órgãos envolvidos. 

Isso até pode parecer lógico para você, pois parece correto que será muito difícil coordenar uma ação realmente integrada se as informações e orientações não tiverem um ponto em comum. 


Mas na prática as organizações envolvidas resistem em “abrir mão” de seus próprios Postos de Comando, fragmentando as ações de coordenação e aumentando a complexidade e confusão das situações críticas.

Quando instalar o Posto de Comando:




Instalar o Posto de Comando deve ser uma das primeiras ações a serem feitas quando se decide colocar o SCO em prática. Quando ele é ativado, desde o princípio da operação, toda a estrutura montada trabalhará tendo o Posto de Comando como referência, e será natural levar até ele informações e também lá buscar orientações.


Se instalarmos o Posto de Comando em uma etapa avançada da situação crítica, haverá uma dificuldade adicional em divulgar sua localização e obter a sua funcionalidade, pois as pessoas envolvidas normalmente já encontraram outros locais de referência, provavelmente dispersos e inadequados.



Como escolher o local para o Posto de Comando:




O local escolhido para o Posto de Comando deve atender a alguns requisitos para que ele realmente funcione como deveria.

*􀀘 Deve estar em um local seguro. Dependendo da situação crítica relacionada às operações, diferentes preocupações devem ser atendidas.

* O local escolhido também deve permitir, quando for possível, a visualização da situação crítica, mas sem estar exposto ao barulho e à confusão da operação.

*􀀘 Deve ainda ser de fácil localização e acesso. Nas situações mais localizadas, ou seja, restritas a um espaço físico limitado, ele pode ser identificado por uma bandeira ou placa, para permitir que os envolvidos o localizem de imediato.


*􀀘 Deve estar abrigado dos elementos naturais, propiciando um local onde se possa fazer reuniões e expor placas e folhas de papel com informações de controle da situação.


É claro que isso nem sempre é possível. Nos primeiros momentos, alguns recursos como o uso de barracas, toldos e viaturas especiais (trailer ou motor-home) podem auxiliar a proteger o Posto de Comando em situações onde ele estará na cena das operações.


*􀀘 Deve permitir a sua expansão física (ocupar mais espaço) caso a estrutura de comando aumente.




Ideias para o Posto de Comando:



Quando pensamos em um Posto de Comando para uma operação em situações críticas, as primeiras idéias sobre o assunto estão ligadas aos filmes de aventura: veículos especiais (trailer ou motor-home) com computadores, telefones, faxes e muitos tipos de alta tecnologia. 

Ou então salas gigantescas, com muitos mapas e pessoas, além de luzes piscando em aparelhos não identificados, demonstrando a presença de equipamentos caros e sofisticados.

Na verdade essa realidade seria desejável, mas não é tão essencial assim.

O Posto de Comando no campo, isto é, na cena da situação crítica, pode ser instalado no próprio capô dianteiro de um veículo de passeio. 

Um cone sobre o veículo ou uma bandeirola com base magnética pode indicar o Posto de Comando. Pequenos imãs ajudam a prender mapas, croquis e folhas de controle sobre a superfície metálica do capô, e o rádio da viatura fornece a comunicação.

Barracas, tendas ou toldos também podem ser uma solução prática e de baixo custo para a expansão de Postos de Comando no próprio local da operação, protegendo-os de chuva e vento.

O uso de veículos especiais, como vans e ônibus adaptados como Posto de Comando, também é indicado, pois obviamente permite uma estrutura semelhante à de uma instalação permanente, com computadores, equipamentos de comunicação, mesas, locais para reunião e outras facilidades.

Finalmente, mesmo no local da operação, uma edificação como uma garagem, uma sala, um galpão, um posto policial ou uma residência pode ser adaptada para receber um Posto de Comando.

Para outras situações, em que não seria aconselhável ou viável um Posto de Comando situado no próprio local das operações, uma ou mais salas de uma repartição pública podem ser utilizadas. 

A prefeitura pode ser um bom lugar pela sua proximidade com outros serviços  de apoio (computadores, telefones, arquivos, digitadores, café, etc.).

As centrais de operações que coordenam o atendimento através do número 190 (polícia) ou do 193 (bombeiro) também podem ser úteis.

Nesses casos, uma sala de bom tamanho, com uma mesa de reunião, alguns telefones, um computador conectado à internet e quadros de anotações fixados na parede, pode funcionar como um bom Posto de Comando. 

Seria bom que esse local tivesse, ainda, uma sala de reunião em separado e instalações para que o Comando pudesse dormir, no caso de situações mais longas. Além disso, a instalação de dispositivos de segurança para o fornecimento de energia garantirá o funcionamento de iluminação, computadores e centrais telefônicas.

Um recurso que dá funcionalidade ao Posto de Comando é a exposição de dados reunidos sobre a situação e a operação em quadros, fixados na parede ou em cavaletes, permitindo uma rápida consulta por todos, principalmente pelo Comando. 

Nesses casos, um bom padrão seria um quadro para a evolução da situação incluindo um croqui ou mapa. Um para o controle de recursos e outro para o Plano de Ação em vigor.

Então, não esqueça: o Posto de Comando deve ser instalado todas às vezes em que for utilizado o SCO, independentemente do tamanho e da complexidade da situação crítica. 

Haverá um único Posto de Comando para cada situação crítica, mesmo que o Comando
seja unificado e haja vários órgãos envolvidos.  Esse é um dos princípios básicos do SCO. 

Área de Reunião:

A Área de Reunião é também um aspecto fundamental para o funcionamento do SCO.

A Área de Reunião é um local, delimitado e identificado, para se dirigir os recursos operacionais que se integrarem ao SCO. Na Área de Reunião é realizado um procedimento de recepção (check in) em que os recursos são cadastrados no SCO. Eles recebem informações básicas sobre o SCO (no caso de não possuírem treinamento) e sobre a situação. 

Caso os recursos não sejam necessários imediatamente, eles permanecem em condições de pronto emprego, aguardando o seu acionamento. Por isso, algumas instruções adicionais são fornecidas:

* Não se afastar da viatura;

* Não se ausentar da Área de Reunião;

* Permanecer escutando o rádio; e

* Não obstruir a passagem de outros veículos.

Quando o seu emprego imediato é necessário, ele apenas é cadastrado e recebe as informações necessárias, deslocando imediatamente.

Excepcionalmente, principalmente nos primeiros momentos da operação, os recursos operacionais podem se deslocar direto para o local onde é necessário, fazendo o check in pelo rádio.

Quando a Área de Reunião deve ser ativada:



Ao perceber que muitos recursos operacionais serão reunidos durante a operação na situação crítica, o SCO deve se preocupar em designar alguém para instalar a Área de Reunião.

A experiência mostra que é muito mais difícil cadastrar os recursos operacionais que estão no local da operação depois que eles já estão espalhados e atuando.

Da mesma forma, se não houver uma orientação inicial sobre locais de estacionamento, procedimentos de espera e informações sobre a situação e o SCO, as equipes iniciam as suas ações de forma individual e pouco coordenada, ameaçando a própria segurança da operação e seus envolvidos. 


Se você já participou de uma operação assim ou presenciou uma situação dessa natureza, deve ter algumas trancadas por outros veículos que chegaram depois ao local, sem possibilidade de deslocamento; viaturas trancadas e sem chaves, com sua guarnição em local desconhecido; ou Comando que simplesmente não consegue descobrir quem, afinal, está participando da operação.




Como escolher o local da Área de Reunião:



Depois da rapidez quanto à instalação, a localização correta é outro aspecto muito importante para que a Área de Reunião funcione.

Ela Tem de Atender Alguns Requisitos:

*􀀘 Deve ser em local seguro, levando em conta aspectos como a instalação do Posto de Comando.

*􀀘 O tamanho deve ser adequado à quantidade e ao tipo de recursos operacionais que serão recepcionados.

* A manobra de veículos e máquinas pesadas em locais restritos pode ser perigosa e retardar o emprego do recurso operacional.

*􀀘 O piso também deve ser adequado ao tamanho e ao tipo de recursos operacionais. e

*􀀘 Deve ter apenas uma entrada e uma saída, facilitando a criação de um fluxo seguro dos veículos.

Principalmente, sempre que possível, você deve se esforçar para que a Área de Reunião seja o caminho natural de chegada às operações.

Ela deve estar posicionada de tal forma que, mesmo uma equipe que chega ao local sem conhecer nada sobre o SCO, “caia” dentro da Área de Reunião e seja abordada pelo controlador ou alguém por ele indicado para o procedimento de recepção (check in).


Isso evitará a invasão da operação por equipes desgarradas do SCO, desarticuladas do objetivo da operação e das estratégias adotadas.

Então, onde instalar essas Áreas de Reunião? Depende de cada situação. É a única resposta possível. Ela pode ser instalada em um campo de futebol, no estacionamento de um shopping center, no pátio de uma fábrica ou mesmo ao longo de uma rua.

Quem controla os recursos operacionais na Área de Reunião?



Como você deve estar imaginando, uma grande dificuldade no SCO é o compartilhamento de recursos. A Área de Reunião posiciona os recursos em um mesmo local e os integra ao sistema, permitindo o emprego de todos de forma articulada.

Em Situações Menores, o Controlador Pode Realizar Todos os Procedimentos:

* Ele cadastra os recursos que chegam e os orienta;

* Recebe as solicitações, avisa as equipes e as despacha para o local solicitado;

* Mantém o registro escrito dessas movimentações informando ao Comando.

Em Situações Críticas Maiores, ele delegará essas atividades, podendo ainda agrupar os recursos na Área de Reunião de acordo com o órgão de procedência e designando um responsável.

Na prática, isso auxilia na qualidade da comunicação entre o controlador e os recursos.

Veja o exemplo abaixo: Uma situação crítica provocada por um deslizamento:

A Área de Reunião poderia estar com muitos representantes de diversas organizações: várias equipes de bombeiro, algumas equipes da companhia de energia elétrica, talvez um contingente do Exército para auxiliar nas escavações, alguns operadores de máquina da prefeitura e turmas de manutenção da secretaria de obras.

Ao receber do Coordenador de Operações a solicitação de uma unidade de resgate na Área Quente, o controlador pode adotar dois procedimentos:

1) ele pessoalmente acionar a unidade de resgate, repassando as informações, despachando para o local solicitado e registrando a movimentação em seu controle; ou

2) chamar um bombeiro previamente indicado e solicitar uma unidade de resgate. Este escolhe a unidade adequada e a encaminha ao controlador, que então repassa a ela as informações, despachando-a para o local solicitado e registrando a movimentação em seu controle.




A Área de Reunião em eventos maiores:





Em eventos maiores, em que a ação pode se espalhar por toda uma cidade ou vários bairros, podemos ter um procedimento diferenciado, porém a ideia é a mesma.

Nesses casos, o procedimento de recepção, ou check in, pode ser realizado por meio de comunicação, e os recursos permanecerem descentralizados, agrupados em seus próprios órgãos ou em locais estratégicos.

O órgão, ao ser acionado, reúne seus recursos operacionais em um local estabelecido e entra em contato com o controlador, que repassa as informações, cadastra o recurso no sistema e estabelece o procedimento de acionamento.

Percebendo a gravidade da situação, o policial se reúne com o bombeiro mais graduado da guarnição de resgate que acabara de chegar e tomam algumas decisões: um SCO deveria ser instalado e os dois estabeleceriam um comando unificado até que pessoas mais graduadas chegassem ao local.

Após tomar essas medidas, o Comando posicionou a sua viatura fora da área de risco, de frente para a situação crítica e colocou um cone refletivo sobre a viatura, estabelecendo o Posto de Comando.

Ao mesmo tempo, entregou uma prancheta ao auxiliar e determinou que ele se deslocasse para o pátio de uma escola, na margem da rua de acesso ao local das operações, distantes uns 100 metros.


Lá seu auxiliar passou a desviar os recursos operacionais para o pátio do colégio, posicionando as viaturas de forma ordenada, informando aos policiais, bombeiros, operários, enfermeiros e engenheiros que chegavam como estava a situação.

Em seguida registrava os recursos operacionais disponíveis em sua prancheta e informava ao Comando por meio do rádio.

Na medida em que o plano surgia no Posto de Comando as solicitações chegavam ao controlador, que despachava com agilidade e ordem. Estava estabelecida a Área de Reunião.



Base de Apoio:



Como o nome indica, a Base de Apoio é uma instalação destinada a sediar as atividades de apoio nas situações mais longas ou complexas.

Na base diversas atividades podem ser desenvolvidas:

* Manutenção de viaturas e equipamentos;


* Reposição de materiais;

* Abastecimento de veículos e ferramentas; e

* Entre outras.


Na base também podem ser disponibilizados serviços voltados para as pessoas envolvidas na operação:

* Alojamento;

* Refeitório;


* Banho;

* Atendimento médico psicológico ou religioso.



Quando as bases devem ser ativadas?

A sua experiência e bom senso já deve ter indicado que apenas em alguns casos será necessário ativar Bases de Apoio. Isso acontece rá quando as situações forem mais prolongadas, com a necessidade de revezamento de equipes em vários turnos e a impossibilidade de dispensá-las a cada final de turno.

Ou ainda quando há equipes de outras localidades que precisam ser alojadas nos momentos em que não estão sendo empregadas.

Outra situação em que é necessária a ativação de Bases de Apoio é quando o uso dos materiais supera a capacidade logística dos próprios recursos operacionais.

Pense bem: quando uma equipe de vacinação vai para uma situação crítica, costuma ter os meios para atuar, como veículo, combustível, alimentação e uma certa quantidade de vacinas.

Mas se a operação se prolongar, ela poderá precisar de um local seguro para abastecer seu veículo, receber alimentação e estocar quantidades maiores de vacinas.



Onde instalar as Bases de Apoio:




É claro que o local de instalação das Bases de Apoio será limitado pelas condições de segurança, acesso, espaço e adaptabilidade do local.

Elas até podem ser instaladas em barracas, formando grandes acampamentos, quando o local da operação é distante e de difícil acesso (essa modalidade de Base de Apoio é bastante usada em incêndios florestais).


Mas, em ambientes urbanos, edifícios públicos podem se constituir em excelentes bases, tais como colégios, ginásios e quartéis.

O mais importante é que a instalação da Base de Apoio como parte do SCO potencializa o uso dos materiais, equipamentos e pessoal, mas só deve ser usada quando o evento realmente exigir, e desativada assim que se torne desnecessária.

Lembre-se de que uma das vantagens do SCO é incorporar esse conceito de estrutura modular e flexível.

Por hoje é só! Espero vocês no Próximo Post. Fiquem a Vontade para Curtir, Compartilhar, Twittar, Fazer Comentários ou Dar Sugestões. Vejo Vocês em Breve. Até........






Referências:
http://ufsc.br/
DAFT, Richard. Organizações: Teoria e Projetos. São Paulo: Pioneira Thomsom
Learning Ltda, 2002.
EMERGENCY MANAGEMENT INSTITUTE. Incident Commando System for
Law Enforcement Agency. Washington, 1999.
AMERICAM RED CROSS. Emergency Managenment Guide for Business &
Industry. Washington D.C., 1999.
BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de Defesa Civil.
Redução das Vulnerabilidades aos Desastres e Acidentes na Infância. 2. ed.
Brasília: MI, 2002.
CASTRO, Antônio Luiz Coimbra de. Manual de Planejamento em Defesa Civil.
Brasília: MI, 1999, Vol. I.