quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Entendendo o Sistema de Comando em Operações - Parte 2/5

            Resultado de imagem para ORGANOGRAMA DO SCO:


Darei continuidade com o Segundo Post, caso não tenham visto o Primeiro, Voltem lá e Depois Retornem para Cá.

ORGANOGRAMA DO SCO:


Cada uma dessas funções pode se desdobrar em sucessivos níveis de autoridade e responsabilidade, de acordo com a necessidade determinada pela situação. Aliás, a maior vantagem do modelo de organização do SCO é a possibilidade de ativar apenas as partes da organização que são necessárias.



Ao todo, em situações complexas e demoradas, o SCO pode reunir centenas de posições ativadas, capazes de lidar com grande quantidade e variedade de recursos para atingir os objetivos estabelecidos.

Entretanto, na maioria dos casos, as operações iniciam-se e terminam com apenas o Comando e alguns recursos compondo a estrutura do SCO.

PRINCÍPIOS DO SCO:


O SCO é um sistema de gerenciamento. Como tal, ele possui uma série de princípios e conceitos que, colocados em prática, torna o uma ferramenta adequada para coordenar a atuação integrada demúltiplos órgãos em situações críticas.

Por isso, é importante destacar que o SCO é mais do que um organograma. Aliás, você perceberá que a organização é apenas um dos seus princípios.

O SCO se baseia em Nove Princípios, que você vai conhecer a partir de agora.

1) Gerenciamento por objetivos:

O gerenciamento de situações críticas no SCO é baseado em uma linha de administração denominada Administração por Objetivos (APO) ou Management by Objectives (MBO). O estabelecimento de prioridades e objetivos comuns, de forma clara, específica e mensurável, é utilizado para articular os recursos e esforços e acompanhar a evolução da operação.

2) Plano de Ação:

A ferramenta para consolidar o gerenciamento por objetivos na coordenação de situações críticas onde o SCO é utilizado é o Plano de Ação. Elaborado pelo Comando, o Plano de Ação fornece aos órgãos, agências e equipes envolvidas o conhecimento das prioridades e
objetivos que devem ser atingidos em um determinado período, permitindo a otimização dos esforços.

O Plano de Ação começa a ser elaborado assim que as informações fluem para o Comando. Uma operação terá tantos planos de ação quanto forem necessários para resolver a situação, e eles podem ser mais ou menos formais conforme a situação. Nos primeiros momentos, ou em situações menos complexas, o Plano de Ação é verbal.

Em outras situações, ele pode ter um grau maior de formalidade, com as principais informações registradas em um quadro de forma esquemática. Finalmente, em situações complexas, podem ser produzidos planos escritos.

De qualquer forma, independentemente do grau de formalidade, o Plano de Ação deve estipular um período para ser executado, os objetivo a serem alcançados e as tarefas a serem cumpridas.

3) Estrutura modular e flexível:

Ao implementar o SCO, apenas as funções necessárias para alcançar os objetivos são ativadas. Dessa forma, a estrutura pode ser adaptada a várias situações, pois a tarefa designada para uma função que não foi ativada é executada pelo nível superior até que a complexidade da operação exija.

Isso significa dizer que, quando uma unidade de emergência chega ao local de uma situação crítica, e o mais graduado da equipe assume o comando, todas as funções gerenciais e seus desdobramentos estão sendo exercidas por ele, ou seja, ele está coordenando Operações, Planejamento, Logística e Administração, além do próprio Comando. Ao constatar que uma determinada função demandará uma atenção especial, ele ativa a função, e a estrutura se amplia para se adaptar à situação.

4) Unidade e cadeia de comando:

Dentro do SCO cada elemento que se integra ao sistema deve reportar-se apenas a uma pessoa, e todos no sistema devem se reportar a alguém. É muito importante que não haja organizações ou pessoas “desgarradas” na operação, pois o sucesso nas operações em situações críticas está associado ao trabalho em equipe.

5) Nível de controle:

O nível de controle refere-se ao número de pessoas que um coordenador pode coordenar com segurança em uma situação crítica. Nessas situações, manter um nível de controle adequado sobre as equipes envolvidas é fundamental. Por isso, o SCO estabelece que um único coordenador deve atuar com um limite entre três e sete equipes ou funções.

Se alguém no SCO está coordenando menos do que três ou mais do que sete equipes ou funções, é possível que um ajuste na estrutura seja necessário.

6) Controle de recursos no SCO: pessoas, equipes e unidades: 

Todos os recursos operacionais empregados no SCO devem estar integrados ao sistema. Para isso, ao chegar ao local das operações, as pessoas, equipes e unidades irão passar por uma área previamente designada, denominada Área de Reunião, onde se submeterão a um check in (procedimento de recepção).

Neste check in os recursos são cadastrados, e então as pessoas, equipes e unidades recebem orientação sobre como proceder. A partir desse momento, todas as designações dadas ao recurso são monitoradas: quando ele recebe uma tarefa, retorna para a Área de Reunião, está indisponível ou é liberado da operação.

7) Terminologia comum:

Outra característica importante no SCO é a adoção de uma terminologia comum, que possibilite a compreensão entre os órgãos envolvidos.

A terminologia comum envolve em primeiro lugar as expressões relacionadas ao próprio SCO. Se por exemplo a expressão que designa o local onde o comando desenvolve suas atividades é Posto de Comando, haverá confusão se alguém solicitar a localização do QG, Sala de Situação ou Escritório de Crise.

Envolve também os equipamentos e recursos utilizados. Imagine chegar uma solicitação urgente de uma aeronave de asa móvel ao Posto de Comando e este responde que não será possível atender, pois só há helicópteros disponíveis (e aeronave de asa móvel é uma forma de designar o helicóptero!).

Finalmente, recomenda-se que não sejam usados códigos na conversação por rádio, principalmente aqueles que são peculiares a determinada atividade ou órgão.

8) Comunicações integradas:

A capacidade de se comunicar com os elementos do SCO é absolutamente essencial.

Isso nem sempre é fácil, pois de um modo geral a comunicação entre os órgãos que respondem normalmente a emergências é dificultada pela incompatibilidade entre equipamentos e frequências.

Por isso, é absolutamente necessário que o SCO desenvolva um Plano de Comunicações prevendo “quem conversará com quem e como”. Para garantir a integração, pode ser necessário distribuir, trocar ou programar equipamentos. De acordo com a necessidade, o Plano de Comunicações pode prever o estabelecimento de diferentes redes de comunicação:

Rede de comando: 

A rede de comando integra as funções básicas do SCO: Comando, Staff do Comando e Staff Principal.

Rede tática:

Poderão ser montadas tantas redes táticas quanto necessárias, para garantir a conversação dentro de um mesmo setor ou seção.

Rede administrativa: 

Em operações mais complexas o tráfego de comunicações administrativas pode ser tão intenso que atrapalharia a comunicação operacional. Como você pode imaginar, isso seria muito prejudicial (e até perigoso) para a operação.

Imagine uma equipe policial precisando de reforço por estar em uma situação perigosa e não conseguir entrar em contato com o coordenador de operações, pois o rádio está sendo utilizado para solicitar marmitas para o Posto de Comando.

Por isso, de acordo com a necessidade, pode ser estabelecida uma rede de comunicação destinada às comunicações ligadas ao apoio logístico.

Rede terra–ar:

Estabelecida para controle do tráfego aéreo, normalmente a rede terra–ar é operada por um técnico com conhecimento das normas de segurança e tráfego aéreo.

Rede ar–ar:

A rede ar–ar é estabelecida para comunicação entre as aeronaves integradas ao SCO, visando à segurança e articulação dos equipamentos envolvidos.

Rede de suporte médico:

No caso específico de situações críticas envolvendo múltiplas vítimas, pode ser estabelecida uma rede de comunicação específica para interligar o SCO com os hospitais ou centro de referência, a fim de organizar a remoção, transporte e transferência das vítimas para unidades hospitalares referenciadas.

Rede estratégica:

Pode ser ainda necessário estabelecer uma ligação entre o SCO, por meio do Comando, e o nível de autoridade superior. Essa rede, denominada estratégica, deve ser confiável, acessível e permitir privacidade na troca de informações.

9) Definição de áreas e instalações:

Outra característica importante do SCO é ordenar o espaço físico, delimitando áreas de trabalho. As principais são:

* Área Quente;

* Área Morna;

*  Área Fria;

*  Área de Reunião;

*  Posto de Comando; e 

* Bases de Apoio. 

Por hoje é só! Espero vocês no Próximo Post. Fiquem a Vontade para Curtir, Compartilhar, Twittar, Fazer Comentários ou Dar Sugestões. Vejo Vocês em Breve. Até........






Referências:
http://ufsc.br/
DAFT, Richard. Organizações: Teoria e Projetos. São Paulo: Pioneira Thomsom

Learning Ltda, 2002.

EMERGENCY MANAGEMENT INSTITUTE. Incident Commando System for
Law Enforcement Agency. Washington, 1999.

AMERICAM RED CROSS. Emergency Managenment Guide for Business &
Industry. Washington D.C., 1999.
BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de Defesa Civil.
Redução das Vulnerabilidades aos Desastres e Acidentes na Infância. 2. ed.
Brasília: MI, 2002.
CASTRO, Antônio Luiz Coimbra de. Manual de Planejamento em Defesa Civil.
Brasília: MI, 1999, Vol. I.