sábado, 25 de outubro de 2014

Entendendo os Conceitos da Gestão de Riscos de Desastres - Parte 2/2

              

Daremos continuidade ao nosso assunto, caso não tenha visto a primeira parte, volte lá e confira, e depois retorne para cá.

O termo Vulnerabilidade está associado à condição dos elementos em perigo(indivíduos, comunidades ou sistemas expostos) e pode ser avaliado através do grau esperado de perda, dano ou destruição no caso do evento acontecer.

Sendo assim, a vulnerabilidade indica como as condições preexistentes fazem com que os elementos expostos sejam mais ou menos propensos a ser afetados por um processo perigoso. 

Para fins da quantificação de danos, a vulnerabilidade pode ser expressa através de uma escala de 0 (sem perdas ou danos) a 1,0 (perda total ou danos extremos).

Por exemplo: para construções, o grau de perdas e danos será a relação entre o valor dos danos esperados e o valor integral da propriedade. 

Para pessoas, será a probabilidade que uma vida em particular seja perdida (considerando um grupo como o elemento em risco), caso as pessoas sejam afetadas pelo deslizamento ou inundação. Naturalmente, se este grupo não estiver na área afetada ele não será vulnerável! 

Por exemplo: Se uma casa estiver localizada em uma área que não seja suscetível a nenhum tipo de fenômeno (inundação, deslizamento) a mesma não será vulnerável a esses processos.


Nos caso de deslizamentos de alta velocidade atingirem uma área construída, a vulnerabilidade estaria mais relacionada à localização das residências do que aos materiais de construção (madeira, alvenaria, mistas). 

Por exemplo: Um grupo de elementos que foram expostos à mesma inundação. Devido à localização dos elementos e de seu tipo construtivo, algumas residências foram completamente destruídas e outras não (relação entre a vulnerabilidade/exposição).

O Potencial para um perigo se transformar em desastre depende do grau de exposição de uma população e seus recursos físicos e econômicos. 

A exposição indica quanto uma cidade, comunidade ou sistema, localizados em uma área suscetível a um determinado perigo, estará sujeito sofrer a com fenômeno quando este ocorrer. 

Nos casos de inundação e deslizamentos a posição geográfica é determinante para se determinar o grau de exposição. A urbanização, a migração, o crescimento populacional e o desenvolvimento econômico aumentam a concentração de pessoas e recursos em áreas suscetíveis a perigos. 

Por exemplo: em deslizamentos urbanos o grau de exposição irá variar conforme a posição da ocupação em relação à encosta e as atividades humanas no local.

Todo desastre causa uma série de consequências negativas aos elementos expostos, as quais podem ser expressas quantitativa ou qualitativamente, em termos de danos e prejuízos. 

Os danos e prejuízos São Divididas pelo Banco Mundial em 4 Setores:

* Sociais, Infraestrutura, Econômicos e Meio Ambiente. 

Esses Setores Principais São Subdivididos em: 

* População Afetada, Habitação, Saúde, Educação, Transportes, Água e Saneamento, Infraestrutura e Energia, Telecomunicações, Meio Ambiente, Agropecuária, Indústria, 
Comércio, entre outros.

Os danos correspondem aos efeitos diretos do desastre como perdas humanas, materiais e ambientais infligidas às pessoas, comunidades, instituições, instalações e aos ecossistemas, como consequência de um desastre. 

Por exemplo: os deslizamentos e inundações que ocorreram no vale do Itajaí, SC em 2008 tiveram como danos diretos a morte de 135 pessoas (SEVEGNANI, 2009).

Os prejuízos representam os custos decorrentes de efeitos indiretos do desastre, relacionados com o valor econômico, social e patrimonial de um determinado bem, em circunstâncias de desastre. 

Por exemplo: os efeitos indiretas ao setor habitacional decorrentes das inundações bruscas que ocorreram em Pernambuco em 2010 foram estimadas em 1,08 bilhões de reais (BANCO MUNDIAL, 2012b). 

Por exemplo: os danos e prejuízos resultantes do desastre ocorrido na região Serrana do Rio de Janeiro em 2011, foram estimadas em 4,8 bilhões de reais (BANCO MUNDIAL, 2012). 

A definição de risco é, sem dúvida, a mais importante e mais utilizada, mas é também a que tem maiores divergências de entendimento. 

No Brasil, a falta de uma conceituação mais uniforme dos termos risco, perigo e suscetibilidade fez com que a elaboração de extensa produção cartográfica tenha utilizado a denominação “mapas de risco”, quando muitas vezes tratavam-se de mapas de suscetibilidade ou de perigo. 

O risco representa uma estimativa do dano potencial que pessoas, bens e atividades econômicas estão sujeitos, levando em consideração a probabilidade de um evento adverso ocorrer nesse período (um ano, por exemplo) e a consequência
desse evento nos elementos expostos. 

RISCO = Ameaça × Probabilidade × Consequência

Embora pareça (e seja) complicada, a fórmula mostrada anteriormente é muito adequada para o exercício da gestão de riscos. Essa equação nos diz que, ao olharmos para uma “situação de risco”, devemos, em primeiro lugar, identificar qual 
é o perigo, que processos naturais ou da ação humana o estão produzindo, em que condições a sua evolução poderá produzir um desastre e, qual a probabilidade deste fenômeno físico ocorrer. 

Após chegar a este ponto devemos avaliar as consequências que ele causará aos elementos expostos, conforme sua vulnerabilidade. 

Assim, o risco pode ser calculado quantitativamente e indicado com bases anuais: 

Por exemplo: probabilidade anual de ocorrência (em %) × o valor provável 
(R$) do prejuízo 

Devido à dificuldade em determinar a probabilidade de ocorrência dos eventos adversos e os danos potenciais, existem algumas metodologias que consideram estes valores de forma subjetiva: 

Por exemplo: probabilidade muito alta de um evento extremo ocorrer com prejuízos elevados à população. 

De maneira geral o risco existirá, em menor ou maior grau, quando elementos vulneráveis estiveram localizados em uma área que apresente perigo a um tipo de fenômeno, baseado em uma avaliação de frequência ou probabilidade de ocorrência do evento desfavorável (perigo). 

O risco deve ser calculado para cada um dos tipos de desastre que podem ocorrer numa região. 

Por exemplo: Queda de blocos sobre residências – probabilidade de 0,4% por ano de 
um bloco destruir uma residência multiplicado pelos prejuízos esperados. 

Risco = 0,4% x Valor R$. 

Por exemplo: inundação gradual – probabilidade de 5% por ano de um rio extravasar 
do seu leito multiplicado pelos prejuízos esperados naquela cota por ano. 

Risco = 5% x valor R$

O Fluxograma abaixo mostra o modelo conceitual do risco:

* Risco = A X P X C

Suscetibilidade (probabilidade espacial)Fatores condicionantes (solo, declividade e etc.);

- AmeaçaFatores desencadeantes: (Chuvas e Ações antrópicas);

- Probabilidade - Estimativa dos intervalos de tempo de ocorrência; e

- Consequência - Elementos vulneráveis: (População, Edifícios e Infraestruturas).

A percepção de riscos é o processo de coletar, selecionar e interpretar os sinais relativos a impactos incertos de eventos, atividades e tecnologias. É a maneira pela qual as pessoas avaliam as consequências de um determinado evento baseadas na sua capacidade de interpretação da situação. 

A resiliência é a capacidade de uma cidade, comunidade ou sistema de suportar ou se recuperar rapidamente de um desastre, mantendo ou retomando suas funções. 

Quanto maior for a resiliência de uma cidade, comunidade ou sistema, maior será a sua capacidade de se recuperar das perdas e danos causadas pela ocorrência de desastres e voltar a funcionar e operar normalmente após um evento adverso. 

A capacidade de aprender com desastres passados influencia diretamente a resiliência, pois orienta as formas de adaptação necessárias para se obter uma proteção futura melhor, através da identificação e redução de riscos. 

Na escala urbana, a resiliência depende da habilidade de se preservar recursos essenciais, bem como garantir funções que garantam o bem-estar da população. 

A Resiliência Depende Principalmente de Dois Fatores: 

1. Da inter-relação e interdependência de diferentes sistemas, como por exemplo, infraestruturas, ecossistemas, instituições e redes de conhecimento. 

2. Das pessoas, cidadãos, representantes do setor público e privado.

Exemplos: 

• Ter equipamentos e serviços públicos de saúde protegidos e em funcionamento rapidamente após um evento adverso; 

• Instalar e operar meios de comunicação capazes de se manterem durante situações críticas, como a rede de rádio amadores. 

Exemplos: 

• Em estruturas de construção civil pode-se reforçar as estruturas, construir diques; 

• Preparação de planos de contingência. 

Exemplos: 

• Em áreas alagadiças, como a Amazônia e o Pantanal, é comum a construção sobre palafitas. Esta solução evita o contato da habitação com o solo úmido, permitindo também maior ventilação. É importante utilizar material de qualidade e evitar o acúmulo de lixo e a proliferação de doenças. 

Exemplos: 

• A construção de diques com sacos de areia é uma medida de caráter emergencial adotada em casos de inundação, por exemplo. A vantagem desta solução é o baixo custo dos materiais, assim como a rapidez de montagem, que pode ser um fator muito importante para uma situação crítica. 


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Referências:
http://riskam.ul.pt/images/pdf/livcapnac_2010_dinamica_vertentes_risco_geomorfologico.pdf
http:/ /www.integracao.gov.br/pt/c/ document_library/get_file?uuid=53d18df5-
cf74-4be4-80c0-97ce3cebad14&groupId=10157

https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1107494/mod_resource/content/8/Cap%C3%ADtulo%201.%20-%20Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20-%20Gest%C3%A3o%20de%20Risco%20de%20Desastres.pdf

http://www.ecapra.org/
http://www.ceped.ufsc.br/biblioteca/outros-titulos/manual-de-desastres-desastres-naturais
http://www.cprm.gov.br/gestao/Atuacao_CPRM_Programa_Gestao_Riscos.pdf
file:///C:/Users/Alex/Downloads/ulfc103627_tm_Rita_Pimenta.pdf
http://www.ipt.br/
http://www.unisdr.org/we/inform/publications/657