domingo, 2 de novembro de 2014

Conhecendo os Riscos e Suas Classificações - Parte 1/2

              

Existem diversos tipos e classificações de risco, desta forma, para se proceder a sua identificação, se faz necessária uma discussão desses termos.

O risco instalado pode ser compreendido como o risco efetivo, atual ou visível existente em áreas ocupadas (GRÉ, 2013).


Essa terminologia foi inicialmente introduzida pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) no mapeamento de deslizamentos urbanos no Estado de São Paulo e atualmente é utilizada pela CPRM nos mapeamentos elaborados para o Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais do Governo Federal (PPA 2012 – 2015).


A identificação do risco instalado é realizada com base na avaliação de evidências do terreno, ou seja, condições “visíveis” de que eventos adversos podem ocorrer, a qual é realizada por meio da execução de trabalhos de campo.

Nestes casos, não há uma análise rigorosa de probabilidade matemática ou do grau de perda dos elementos em risco, sendo uma avaliação empírica guiada por um conjunto de regras construídas a partir de experiências bem sucedidas (BRESSANI; COSTA, 2013). 

Este tipo de identificação de risco tem grande sucesso no Brasil e ajuda a reconhecer situações críticas e a hierarquizar a aplicação de recursos em obras e outras medidas de redução de risco.

Exemplo: No caso de deslizamentos, o risco instalado é identificado com base em feições de instabilidade e em condições que tendem a aumentar o risco, como, por exemplo:

* Existência de trincas e degraus de abatimento em casas e no terreno;
* Inclinação de estruturas rígidas como árvores, postes, paredes e muros;
* Presença de blocos de rocha e matacões próximos à moradia;
* Presença de lixo e entulho nas encostas;
* Lançamento de águas servidas diretamente na superfície;
* Distância da moradia ao topo ou base dos taludes;
* Elevada inclinação da encosta;
* Existência de cortes com geometrias inadequadas e cortes executados de 
maneira ineficiente e sem compactação;
* Presença de árvores que prejudicam a estabilidade das encostas, como por 
exemplo, bananeiras;
* Qualidade do sistema de drenagem;
* Presença de colúvios e corpo de tálus;
* Vazamento de água em tubulações;
* Presença de cicatrizes de deslizamentos próximos à moradia.

Exemplo: Nos processos hidrológicos de inundações e enxurradas, o risco instalado é identificado com base em indicadores de que os mesmos podem ser desencadeados, como por exemplo:

* Registros de ocorrências de inundações e enxurradas;
* Cotas máximas dos corpos de água;
* Desmatamento das margens dos corpos d’água e seu consequente assoreamento;
* Impermeabilização dos terrenos;
* Presença de lixo e entulho nos canais de drenagem;
* Ocupação desordenada de terrenos próximos ao eixo da drenagem;
* Forma do terreno.

Se em determinado local os indicadores mostrados nos itens anteriores forem em grande número, e em posições e severidade críticas, envolvendo residências, população ou infraestruturas, se define que essa área apresenta um determinado grau de risco instalado.

É importante salientar que, embora a identificação do risco instalado tenha grande sucesso no gerenciamento dos riscos, ela representa uma avaliação dos processos que estão “em andamento”. 

Processos rápidos, como enxurradas, corridas de detritos, tornados, que não geram evidências no terreno, são mais difíceis de terem seu risco instalado identificado.

O risco aceitável é aquele que uma determinada sociedade ou população determinou como admissível, após considerar todas as consequências associadas ao mesmo. 

Em outras palavras, é o risco que a população vulnerável está preparada para aceitar sem se preocupar com a sua gestão (FELL et al., 2008).

Neste caso, a sociedade não considera que sejam justificáveis gastos para reduzir o risco, já que não considera o mesmo relevante.

Portanto, a identificação do risco aceitável advém de uma percepção geral da sociedade, a qual varia ao longo do tempo e com o nível de experiência das pessoas com desastres.

É importante ter em mente que, quando um indivíduo ou uma sociedade “aceita” um risco, isso não significa que o mesmo é inexistente.


Por hoje é só! Mas Daremos Sequência no Próximo Post. Fiquem a Vontade para Curtir, Compartilhar, Twittar, Fazer Comentários ou Dar Sugestões. Vejo Vocês em Breve. Até......









Referências:
riskam.ul.pt/images/pdf/livcapnac_2010_cartografia_municipal_risco_sig.pdf
https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1112649/mod_resource/content/5/Cap%C3%ADtulo%204%20-%20Apostila%20-%20Enxergando%20os%20componentes%20do%20risco.pdf
http://www.eea.europa.eu/publications/technical_report_2005_1
http://www.abge.org.br/uploads/imgfck/file/Relatorio_Petropolis-Marco13.pdf