terça-feira, 25 de novembro de 2014

Entendendo as Inundações Bruscas em Pernambuco - Junho de 2010 - Parte 3/4

             

Entre os setores de infraestrutura, o maior impacto foi identificado na área de transportes, com perdas e danos calculados em R$ 394 milhões. Rodovias, estradas vicinais, pontes e pavimentação urbana foram destruídas pelas chuvas em diversos municípios do estado.

Do total, R$ 362 milhões são referentes aos danos à malha rodoviária, a rede de estradas vicinais e às pontes danificadas e destruídas durante o evento.

Devido ao alto custo de recuperação, associado a uma alta vulnerabilidade a novos desastres, a estratégia de recuperação das estradas vicinais teve que ser revista, e essas obras deixaram de ser priorizadas. Chama atenção o custo de recuperação de pontes, estimado em mais de R$ 180 milhões. 

De acordo com os dados dos Avadans, 139 pontes, pontilhões e passagens molhadas foram destruídos, e outras 290 teriam sofrido algum dano. Cabe destacar que apenas as pontes sobre o Rio Una, em Palmares, custaram cerca de R$ 40 milhões, segundo informações do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). 

Além disso, já foram licitadas outras obras de recuperação e reconstrução de pontes orçadas em mais de R$ 30 milhões, enquanto outras obras solicitadas ainda não foram atendidas.

O DER (Departamento de Estradas de Rodagem) também foi responsável por obras de recuperação de pontes e rodovias. Dentro das ações emergenciais, o DER restaurou trechos de cinco rodovias do estado, conforme as tabelas e quadros abaixo. Foram feitas intervenções em mais de 66 quilômetros de rodovias, obras que somaram mais de R$ 43 milhões.

Toda a extensão da PE-42 entrou em obras, enquanto nas demais rodovias apenas alguns trechos sofreram intervenções. Todavia, metade da PE-99 foi afetada e na PE-64 os trechos afetados representam 64% da extensão total da rodovia, o que evidencia a dimensão dos danos causados. 

Vale reforçar que além das obras gerenciadas pelo DER, o DNIT e a Secretaria de Estado da Casa Militar de Pernambuco (Camil) também atuaram na
recuperação da infraestrutura de transportes, de modo que esses trechos não são os únicos afetados pelo desastre. 

A BR-101, por exemplo, também teve trechos danificados e sua recuperação foi feita pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), assim como a reconstrução das pontes sobre o Rio Una. Além disso, outros trechos de rodovias estaduais também foram recuperados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

Muitas das obras de recuperação das estradas vicinais destruídas e danificadas foram realizadas pela Camil, e outras solicitações no setor de transportes ainda não foram atendidas. 

Com base nas informações disponíveis sobre os projetos em andamento foram construídas estimativas dos custos de recuperação dos diversos tipos de equipamentos destruídos. Essas estimativas, por sua vez, foram associadas aos levantamentos preliminares dos Avadans para que o custo de reposição das infraestruturas destruídas/danificadas que ainda não possuem projeto ou estimativas de custos pudessem ser considerados.

As perdas calculadas, por sua vez, chegaram a R$ 40,0 milhões, impulsionadas principalmente pelos custos de limpeza de vias urbanas de mais de R$ 28,0 milhões. 

Contudo, não foi possível estimar as perdas decorrentes do aumento de custo de transportes como, por exemplo, o impacto evidente que a destruição das duas pontes sobre o Rio Una teve sobre o fluxo de veículos pesados de carga que precisou ser desviado e passar por dentro do município de Palmares.

Apenas nesse caso isolado, além das perdas impostas ao setor de transporte de cargas, segundo informações do DNIT, a cidade de Palmares também sofreu impactos indiretos ao ter que absorver um fluxo intenso de caminhões em trechos urbanos, o qual acabou por gerar um desgaste não planejado da infraestrutura viária visto que a mesma não fora dimensionada para o volume de tráfego e carregamento do mesmo. 

Da mesma forma, a rodovia estadual PE-060 teve que ser restaurada depois que desvios de tráfego causaram um aumento do fluxo de veículos pesados em sua extensão, reduzindo sua vida útil. 

Estas informações sugerem que os impactos no sistema viário não reduziram significativamente o volume de tráfego em trânsito pela região, mas apenas incorreram em maiores custos logísticos em razão de congestionamentos e maiores distâncias de viagem devido aos desvios. 

Em contrapartida, os impactos locais pela não realização das atividades de transportes de carga nos municípios afetados foram estimados conforme apresentado a seguir.

Observe que o município de Palmares concentrou o impacto calculado no setor de transportes. As duas pontes sobre o Rio Una e a recuperação da PE-126 entre Catende e Palmares, orçada em cerca de R$ 10 milhões, levam os danos no município a mais de R$ 50 milhões. 

Além disso, parte considerável das perdas com limpeza de vias urbanas (impossível municipalizar) também estaria associada ao município, que ficou entre os mais afetados da região.

Complementarmente, o cálculo dos impactos indiretos (perdas) no setor de transporte foi realizado segundo uma análise da redução da atividade em razão da perda de produção nos setores da agricultura e pecuária. Utilizando-se do volume de produção perdido (reportado nos AVADANs), custo médio de frete e estimativa de distância de viagem até centros comerciais próximos.

A distância de viagem foi calculada como sendo a distância entre o município afetado e o centro comercial mais próximo. No caso particular do Pernambuco, foram identificadas a capital Recife e a cidade de Maceió no estado de Alagoas como centros comerciais. 

Como alguns dos municípios afetados se encontram na região sul do estado do Pernambuco, considerou-se a possibilidade de transferência da capacidade de transportes para as duas cidades segundo a distância de viagem. Entretanto, prioridade foi dada à cidade de Recife por ser a capital do estado afetado.

Assim, determinou-se a distância de transportes igual a distância entre o município afetado e Recife quando esta fosse até 25% superior a distância do município até Maceió. Caso contrário, a distância até a cidade de Maceió (deslocamento da capacidade de transportes para o estado vizinho) foi utilizada para o cálculo das perdas.

Como apresentado na Tabela 11, grande parte das perdas se deu em razão dos danos sofridos na produção de cana-de-açúcar, aproximadamente, R$ 3,66 milhões. Em um segundo plano, tem-se as perdas associadas aos demais produtos do setor agrícola (R$ 3,61 milhões), enquanto as maiores perdas no setor de pecuária correspondem ao transporte não realizado de animais de grande porte (R$ 195 mil). 

Assim, as perdas na atividade de transportes devido a redução de demanda representam aproximadamente 25% das perdas totais, superando os de manutenção de veículos (R$ 49 mil) e dragagem de canal (R$ 2,4 milhões). 

De uma forma geral, as estimativas não representam as perdas totais, pois conforme mencionado anteriormente, o incremento do custo de transportes, seja ele por aumento de distância de viagem ou demanda de insumos, não foi estimado por falta de dados específicos, bem como o custo adicional para o transporte de passageiros (este último, por falta de informações sobre os números de viagens pré e pós-desastre).

Assim, determinou-se a distância de transportes igual a distância entre o município afetado e Recife quando esta fosse até 25% superior a distância do município até Maceió. Caso contrário, a distância até a cidade de Maceió (deslocamento da capacidade de transportes para o estado vizinho) foi utilizada para o cálculo das perdas.

Como apresentado na Tabela 11, grande parte das perdas se deu em razão dos danos sofridos na produção de cana-de-açúcar, aproximadamente, R$ 3,66 milhões. Em um segundo plano, tem-se as perdas associadas aos demais produtos do setor agrícola (R$ 3,61 milhões), enquanto as maiores perdas no setor de pecuária correspondem ao transporte não realizado de animais de grande porte (R$ 195 mil). 

Assim, as perdas na atividade de transportes devido a redução de demanda representam aproximadamente 25% das perdas totais, superando os de manutenção de veículos (R$ 49 mil) e dragagem de canal (R$ 2,4 milhões). 

De uma forma geral, as estimativas não representam as perdas totais, pois conforme mencionado anteriormente, o incremento do custo de transportes, seja ele por aumento de distância de viagem ou demanda de insumos, não foi estimado por falta de dados específicos, bem como o custo adicional para o transporte de passageiros (este último, por falta de informações sobre os números de viagens pré e pós-desastre).

As inundações bruscas de 2010 danificaram as redes coletora de esgoto e de distribuição de água em vários municípios de Pernambuco, bem como estações de tratamento de água e esgoto na região afetada. As perdas e danos calculados no setor somaram R$ 36.1 milhões, divididos entre 38 dos municípios que decretaram situação de emergência ou de calamidade pública.

Entre os subsetores (água e esgoto e coleta de resíduos sólidos), o maior impacto foi no setor de coleta e tratamento de esgotos, com custos de recuperação mais elevados do que os de recomposição da rede de distribuição de água. 

As perdas e danos calculados nos subsetores de coleta e tratamento de esgoto e coleta de resíduos sólidos foram R$ 24 milhões, enquanto no subsetor de distribuição de água as perdas e danos chegaram a R$ 12 milhões.

Do total, R$ 27.9 milhões correspondem aos custos diretos do desastre, enquanto R$ 8.1 são perdas indiretas também associadas às chuvas. As inundações destruíram principalmente as redes de distribuição de água e de coleta de esgoto, cuja recuperação tem custos estimados em cerca de R$ 20 milhões. 

Além disso, quase 2 milhões de metros cúbicos de água de reservatório e mananciais afetados pelas chuvas foram valorados em aproximadamente R$ 3 milhões. As perdas calculadas, por sua vez, devem-se aos prejuízos causados ao sistema de coleta de resíduos sólidos informados pelos municípios através dos Avadans. 

Essa informação tem, portanto, um caráter limitado já que esses formulários são preenchidos poucos dias após oevento, quando ainda não é possível acessar diversos locais. As perdas de receita das distribuidoras, por exemplo, não foram estimadas por falta de informações sobre o interrompimento no fornecimento, cujo período de duração variou muito dependendo do município em questão (44 ficaram sem água por causa das inundações). 

Além disso, a construção de novos conjuntos habitacionais irá demandar a expansão da rede de saneamento básico até os novos terrenos, e as perdas no setor de saneamento associadas a essas medidas de redução de vulnerabilidade podem ser significativas.

Entre os municípios afetados, Palmares concentrou 24% do custo no setor. 

Em seguida, Jaboatão dos Guararapes e Barreiros sofreram perdas e danos de cerca de R$ 3 milhões cada, o que corresponde a 10% (cada) do impacto total no setor.

É preciso notar que enquanto Palmares e Barreiros são pequenos municípios que foram devastados pelo desastre, Jaboatão dos Guararapes declarou apenas situação de emergência. 

Todavia, como o município é mais desenvolvido e com uma população maior, as perdas informadas em função dos prejuízos causados ao sistema de coleta de resíduos sólidos foram muito elevadas. No entanto, embora as dimensões do município possam justificar esses valores, tendo em vista a questão da qualidade das informações dos Avadans, é possível questionar sua posição entre os mais afetados no setor.

Em geral, os municípios afetados são atendidos pela Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento), sociedade de economia mista na qual o Estado de Pernambuco possui 99.72% do capital. 

Além disso, alguns dos municípios atingidos são atendidos pelas prefeituras. Consequentemente, a maior parte do impacto calculado no setor de saneamento básico foi sobre ativos ou fluxos de propriedade pública. Aproximadamente R$ 28 milhões são perdas e danos calculados no setor público, embora, mais uma vez, impactos indiretos relevantes sobre o setor privado não tenham sido calculados em função da falta de informações.

Por sua vez, no setor privado o impacto calculado foi de pouco mais de R$ 8 milhões. Assim como nos demais setores sociais e de infraestrutura, na área de saneamento básico a responsabilidade de reconstrução foi naturalmente atribuída ao estado.

Ademais, o fato de o restabelecimento da situação de normalidade no setor de saneamento
básico ser prioritário dentro da fase emergencial sugere que o impacto do desastre no setor pode ter um efeito imediato sobre as contas públicas em estados que concentram a provisão desses serviços básicos.

As perdas e danos calculados no setor agrícola chegaram superaram R$ 63 milhões, valor que corresponde a aproximadamente 2% do Valor Adicional Bruto do setor agropecuário do estado de Pernambuco em 2009. De acordo com informações oficiais da Defesa Civil, nos municípios atingidos as culturas mais seriamente afetadas foram as de cana-de-açúcar, feijão e milho.

Além da produção perdida, alguns municípios reportaram danos em edificações rurais. Como os Avadans são a única fonte oficial de informações, o impacto indireto do desastre no setor agrícola não pode ser calculado (apenas perdas relacionadas às dificuldades de escoamento da produção de leite foram reportadas).

Entre os subsetores, os danos causados às culturas de cereais, grãos e leguminosas somam quase metade do impacto total. Cerca de R$ 10 milhões correspondem às perdas de produção de cana-de-açúcar, o que não surpreende dado que o estado de Pernambuco (especialmente a região da Mata Pernambucana – inclusive a Zona da Mata Sul, que concentrou o evento) é um grande produtor.

Nos municípios atingidos, 191 mil toneladas de cana-de-açúcar foram destruídas,número que representa quase 4% da produção de cana nesses municípios em 2009. Joaquim Nabuco foi a cidade mais afetada depois que as chuvas destruíram 70 mil toneladas de cana-de-açúcar no município, o equivalente a 37% da produção municipal de cana no ano de 2009.

É preciso notar que, além da produção de cana-de-açúcar perdida, de acordo com informações do Sindaçúcar (Sindicato da Indústria do Açúcar no Estado do Pernambuco), o excesso de chuvas diminuiu a produtividade da cada colhida, o que aumentou os custos no setor sucroalcooleiro. 

Todavia, durante a fase pós-desastre esse impacto indireto não foi valorado e, além disso, não foi possível coletar os dados necessários para que essas perdas pudessem ser estimadas.

Embora os Avadans não qualifiquem os danos causados às edificações rurais, é possível que esses números reflitam o impacto das enxurradas sobre as usinas da região, já que danos aos equipamentos dessas unidades industriais foram amplamente divulgados na ocasião do desastre.

Além da produção de cana-deaçúcar, os produtores de milho e de feijão também sofreram danos significativos, de aproximadamente R$ 10 milhões, no total. 

Todavia, segundo informações do IBGE publicadas no Levantamento Sistemático da Safra Agrícola de junho de 2010, embora no mês de junho Pernambuco tenha reportado uma área a ser colhida (feijão) 91.3% menor que a do mesmo período de 2009 e uma produção esperada 88.9% menor em relação a junho do ano anterior, essa queda de produção de feijão foi decorrente da estiagem no estado, já que as chuvas excessivas não afetaram as lavouras porque elas estavam concentradas no Agreste, enquanto a região atingida pelas enchentes foi a zona da Mata.

Mas, embora em nível estadual o maior impacto sobre a produção de feijão no período tinha sido decorrente da seca, na área afetada pelas chuvas as 4,718 toneladas destruídas representam 12% da produção de feijão do ano anterior. 

Entre os produtores de milho que reportaram prejuízos, embora as perdas e danos tenham somado apenas pouco mais de R$ 2 milhões, as 5,405 toneladas do produto destruídas equivalem a quase 17% da produção de milho em 2009.

Por Hoje, é Só! Daremos Sequência ao Quarto e Último Post. Até lá...

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Referências:
https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1118814/mod_resource/content/1/Inunda%C3%A7%C3%B5es%20Bruscas%20em%20Pernambuco%20-%20Banco%20Mundial.pdf