sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Entendendo as Inundações Bruscas em Alagoas - Junho de 2010 - Parte 1/3

             

As chuvas do mês de junho de 2010 afetaram de forma significativa o estado de Alagoas gerando impactos econômicos e sociais as comunidades afetadas. 

Aproximadamente 270 mil pessoas foram afetadas, das quais 44 mil ficaram desalojadas e mais de 28 mil desabrigadas. O número de mortes chegou a 36 e feridos a 1.131 pessoas.

O custo total do evento foi estimado em R$ 1.89 bilhões entre perdas e danos. 

Somente para o setor privado foi estimado impacto da ordem de R$ 1.25 bilhões ou 66% o que indica para grandes desafios de recuperação do setor pós-desastre. Somente o setor de habitação reportou perdas e danos privados de R$ 945 milhões e comércio R$ 125 milhões.

Grande proporção dos custos estimados foram impactos diretos (ou danos) os quais corresponderam a R$ 1.58 bilhões. 

Deste total, os setores de habitação, transportes e educação foram os mais severamente impactos. 

Já com relação as perdas (impactos indiretos), o setor de habitação responde por grande proporção (57%) dado que os impactos no referido setor implicam em gastos públicos com moradia temporária, perdas de aluguel no mercado imobiliário e necessidade de reassentamento. 

Por fim, o custo das chuvas no estado indica para impactos econômicos significativos em relação a economia do estado.

Estima-se que o custo total seja de aproximadamente 3 vezes o volume de investimentos realizados no estado no ano de 2009.

No período de 17 a 19 de junho de 2010, o fenômeno Onda de Leste que atingiu Pernambuco chegou ao estado de Alagoas deixando 15 municípios em Estado de Calamidade Pública (ECP) e 4 em Situação de Emergência (SE)  nas mesorregiões do Leste e do Agreste Alagoano.

De acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e de Recursos Hídricos de Alagoas, foram atingidas as bacias do Paraíba e do Mundaú, ocorrendo no período de 17 e 18 de junho elevados índices de precipitação, que culminaram na cheia que marcou o estado. 

Segundo o Atlas Brasileiro de Desastres Naturais, entre 1991 e 2010, no mês de junho foram registrado 54 desastres por inundações bruscas em Alagoas e entre estes, 19 registros de desastres foram associados ao evento de 2010.

Dados da Defesa Civil do Estado de Alagoas apontam para a destruição de diversos prédios públicos, 150 km de ferrovias, 3 pontes ferroviárias, milhares de domicílios, entre outros ativos. 

As operações de resgate envolveram a instalação de um hospital de campanha e o trabalho de 400 homens do Corpo de Bombeiros do Estado, 600 do exército, 70 da força nacional, 520 da Polícia Militar do Estado, 210 da Marinha e da Aeronáutica, além de efetivos do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo e de Sergipe. 

Também participaram das operações de resgate equipes de assistência médica e social com mais de 100 pessoas dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Segundo a contagem populacional do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2007, aproximadamente 1.5 milhão de pessoas vivia nos municípios afetados pelas chuvas de 2010. 

Assim, estima-se que o evento tenha afetado uma região que abriga cerca de 50% da população do estado de Alagoas, que conta com um total de 3.1 milhões de pessoas. 

As cidades em Estado de Calamidade Pública (ECP) ou Situação de Emergência (SE) possuem população de 465.375 pessoas, o que significa que 15% da população do estado viviam nos municípios mais afetados pelo desastre.

De acordo com os Avadans (Relatórios de Avaliação de Danos), aproximadamente 270 mil pessoas foram diretamente afetadas pelas inundações, 60% da população dos municípios em ECP ou SE, ou cerca de 9% de população do estado de Alagoas.

Os municípios de União dos Palmares, Murici e São José da Laje concentraram, conjuntamente, quase metade da população afetada. 

A população desabrigada ou desalojada, por sua vez, ficou concentrada em União dos Palmares, Rio Largo e Santana do Mundaú.

Sete municípios reportaram que toda a população municipal foi afetada pelo desastre:

* São José da Laje, Murici, Quebrangulo, União dos Palmares, Jacuípe e Santana do Mundaú, enquanto o município de Ibateguara teve a sua região rural afetada (povoados de
Canastra e Bastiões).

Por fim, outras cinco cidades tiveram mais de 40% da população afetada, números que revelam a situação caótica nas cidades onde os efeitos das inundações foram mais severos. 

Por exemplo, em União dos Palmares os quase 9 mil desabrigados representam 31% da população que teve que deixar suas casas em todo o estado de Alagoas em decorrência das chuvas de 2010.

Em relação à população do município, 18% dos moradores da cidade de União dos Palmares tiveram suas casas afetadas (desalojados ou desabrigados). 

Esse percentual, no entanto, foi ainda maior em cidades como Santana do Mundaú e Quebrangulo. 

Esses são municípios menores, com cerca de 12 mil habitantes, nos quais aproximadamente metade da população teve que deixar suas casas como consequência das inundações bruscas de junho de 2010.

Por Hoje, é Só! Mas, Daremos Continuidade a Esse Assunto. Espero Vocês no Próximo Post. Até Lá......

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Referências:
https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1118813/mod_resource/content/1/Inunda%C3%A7%C3%B5es%20Bruscas%20em%20Alagoas.pdf