quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Entendendo as Inundações Bruscas em Santa Catarina - Novembro de 2008 - Parte 1/4

            

O grande volume de precipitação no final do mês de novembro de 2008 em Santa Catarina foi responsável pela superação do recorde de chuvas no estado em seu histórico de registros. O evento teve a sua origem após um sistema de alta pressão estacionar em alto mar levando chuvas à costa catarinense e ao interior do estado. 

Associado à chuva, sua longa continuidade ocasionou enchentes progressivas em diversas localidades.

Os índices de precipitação para o estado segundo dados coletados pelos sistemas de monitoramento do INMET, CIRAM e INPE. 

Os totais para o mês de novembro foram em torno de 1.000 mm para as cidades de Blumenau e Joinville que possuem média mensal de 150 mm. Já na região litorânea, as chuvas foram prolongadas incorrendo em problemas graves de inundação progressiva e impactos econômicos de grande monta.

De uma forma geral, o evento configurou-se como um dos piores desastres na historia do estado conforme será apresentado em maior detalhe nesse relatório. 

Os custos econômicos foram significativos com grandes ativos sendo impactados e a população afetada concentrou-se na região litorânea e no Vale do Itajaí.

Citado com um dos piores desastres da história de Santa Catarina, as chuvas de novembro de 2008 e janeiro de 2009 deixaram mais de 80 mil pessoas desalojadas e desabrigadas, 60 municípios em situação de emergência (SE) e 14 em Estado de Calamidade Pública - ECP.

Segundo os Relatórios de Avaliação de Danos (Avadans) da Defesa Civil, as perdas humanas se resumem a 110 mortes, sendo 97% dos óbitos resultantes de soterramento pós-deslizamento de encostas. 

O problema é de grande escala no estado, pois a mesoregião do Vale do Itajaí tem solo de composição argilosa que quando saturado pela água da chuva tem propensão a deslocar de forma abrupta. 

Seus impactos são potencializados em função da ocupação de áreas de risco e falta de infraestrutura física para contenção de deslizamentos apropriada aos riscos apresentados no estado.

Espacialmente, o evento não se limitou ao Vale do Itajaí e região litorânea do estado, mas afetou as regiões Oeste, Norte, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Sul do Estado. Isso corresponde a um terço de todo o território onde mais de 2 milhões de pessoas (ou 34% da população) residem, segundo as informações do Grupo Reação.

Os dados do Atlas Brasileiro de Desastres Naturais do Ministério da Integração apontam para o caráter extremo do evento frente aos dados históricos do estado.

Apesar do mês de novembro ser representativo no cenário dos desastres em Santa Catarina, grande frequência de inundações e chuvas torrenciais é observada no período do verão, principalmente entre janeiro e fevereiro no período de 1991 a 2010. 

Adicionalmente, o desastre de 2008 se destaca em razão dos grandes impactos gerados pelas inundações progressivas e bruscas e deslizamento de encostas. Assim, perdas e danos foram registrados em diferentes setores sociais e econômicos.

A recorrência do evento no mês de janeiro impôs uma nova pressão ao estado que iniciava seu processo de recuperação.

As chuvas de janeiro seguiram os padrões de precipitação registrados para as últimas duas
décadas. Destaca-se então a importância de uma eficiente gestão de riscos e desastres frente às probabilidades de ocorrência de enchentes no primeiro mês do ano e
recorrência histórica de desastres no estado.

Mais de 2 milhões de pessoas e um terço do território do estado Catarinense foi afetado pelas chuvas de 2008/2009. Segundo as informações da Defesa Civil compilados nos Relatórios de Avaliação de Danos (Avadans), aproximadamente 1.5 milhão de pessoas foram diretamente afetadas pelo desastre, das quais 82.770 ficaram desalojadas e 38.261 desabrigadas.

Dentre os municípios que declararam situação de calamidade pública, cinco (Itajaí, Blumenau, Brusque, Gaspar e Camburiú) foram classificados entre os 10 municípios com maior quantidade de pessoas afetadas. 

Estes municípios só foram superados em número de pessoas afetadas pelos maiores pólos urbanos do estado, Joinville e Florianópolis, que concentraram 29% e 13%, respectivamente.

Já em relação à população desalojada, Blumenau liderou o ranking com 30%, indicando a escala dos impactos no setor de habitação na referida cidade. Esta situação não se repetiu se tratando do número de desabrigados (pessoas que precisaram deixar suas casas e que recorreram a abrigos públicos). 

Neste caso, a cidade de Itajaí foi a mais impactada com 48% dos desabrigados no estado, ou aproximadamente 18 mil pessoas.

Neste sentido, observa-se que os impactos mais significativos ocorreram fora dos principais polos urbanos e consequentemente nos municípios com economias mais frágeis e, portanto, com capacidade de resposta mais limitada, embora Blumenau seja um representativo centro de comércio e serviços e Itajaí possua o porto. 

Outra informação interessante é a comparação entre o número de desabrigados (48%) e desalojados (2%) na cidade de Itajaí em relação ao número total de pessoas afetadas no estado. Estes dados apontam para a alta vulnerabilidade do referido município. 

Em relação aos óbitos, seis municípios concentraram 85% das fatalidades. Destes, em quatro foram declarados Estado de Calamidade Pública (Blumenau, Gaspar, Luis Alves e Itajaí). 

Em contrapartida, estes seis municípios representaram apenas 25% da população afetada, o que sugere que uma concentração da fatalidade em pontos específicos de algumas das cidades afetadas. 

Frente ao descrito anteriormente, pode-se observar que os impactos associados às chuvas de 2008/2009 foram de grandes proporções para o estado de Santa Catarina quando comparados aos registros dos últimos 20 anos. 

Somente o evento de 2008/2009 correspondeu por, aproximadamente, 28% do total de desalojados e 51% dos desabrigados nos últimos 20 anos de desastres. Em relação às mortes, os registros da Defesa Civil apontam para 68% dos óbitos ocorrendo no período chuvoso de 2008/2009.

Por fim, destaca-se que dentre os 25% da população do estado afetada pelas chuvas de 2008/2009, aproximadamente 429 mil foram na cidade de Joinville e 192 mil na capital Florianópolis, que possuem populações de 515 mil e 427 mil habitantes, respectivamente. 

Porém, nenhuma morte foi registrada em Joinville e apenas um óbito ocorreu em Florianópolis. Tais fatos podem indicar para uma maior resiliência nas referidas cidades (ou seja, menor vulnerabilidade dos sistemas e da população) ou menor intensidade das chuvas e inundações bruscas nas referidas cidades.

Por Hoje, é Só! Mas, Daremos Continuidade a Esse Assunto no Segundo Post. Espero Vocês! Até Lá......

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Referências:
https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1118816/mod_resource/content/1/Inunda%C3%A7%C3%B5es%20Bruscas%20em%20Santa%20Catarina.pdf